segunda-feira, 13 de julho de 2009

A MANILHA VAI SECA (54): Vai uma poncha à pescador, Manuela?

Ainda me consigo surpreender.

Em tempos, critiquei a postura das elites do PSD, que, por se acharem elites, evitavam ao máximo o contacto directo com o povo desdentado e suado, de gentes que exibem farfalhudos bigodes e bocas com falta de uns quantos dentes. Entre aqueles que julgam pertencer a uma elite dentro do PSD (e a uma elite dentro do próprio país) temos a própria líder do partido, Manuela Ferreira Leite.

No ano passado, Miss Política de Verdade optou por não marcar presença da tradicional Festa do Pontal, que, no coração de um Algarve que concentra quase todo o Portugal de Agosto, costumava marcar a reentré política do PSD em clima de festejo popular. Em vez de se misturar com o povo que cheira a sardinhas e a suor, Ferreira Leite escondeu-se na higiénica Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, onde as elites do PSD debatem os problemas e as soluções para o país bem longe do povo que o habita. Nada contra a existência de um fórum onde um dos maiores partidos debate o que pretende para Portugal, mas tudo contra uma postura de “nós somos a elite, nós somos bons, nós não nos misturamos com a gentalha”.

Só que isto foi em 2008 e 2009 é ano de muitas eleições. Vai daí, Ferreira Leite decide que, para poder ganhar as simpatias do eleitorado, tem de mudar urgentemente aquela imagem de pessoa distante, sisuda, altiva e pouco acostumada aos contactos com as gentes do povão. José Sócrates, Paulo Portas, Jerónimo de Sousa e Francisco Louça não têm quaisquer problemas em apertar a mão aos descamisados e não se furtam mesmo a dois dedos de conversa com alguns populares que encontram no caminho.

Não sei se Ferreira Leite já se sente mais à vontade nos contactos com a população ou se esta imagem é algo artificial, mas sinto que, da parte da líder do PSD, há uma vontade clara de vencer as Legislativas em Setembro. Por isso, Miss Política de Verdade vai marcar presença em Chão da Lagoa, a popularucha festa do PSD-Madeira onde, todos os anos, Alberto João Jardim, tolhido pelos desígnios de Baco, de umas quantas ponchas e algumas nikitas, vocifera as maiores barbaridades contra o Governo (seja ele qual for), contra Lisboa e contra os portugueses de Portugal Continental. Jardim sente-se bem entre o povo e não tem quaisquer problemas em beber uns canecos no meio das gentes que cheiram a sardinha assada. Ferreira Leite vai ter de se habituar e, se calhar, até vai ter que mandar abaixo uma poncha à pescador diante da maior participação de sempre em Chão da Lagoa (o secretário-geral dos sociais-democratas madeirenses estima que estejam lá 40 mil pessoas, o que se traduz num público superior ao de muitos festivais de Verão).

Não tenho a certeza se Ferreira Leite vai estar também na Festa do Pontal, mas, por esta altura, já nada me surpreende. É junto do povo que muitos vão ganhando votos e Paulo Portas sabe, melhor do que ninguém, como é que isso se faz.

1 comentário:

R. Rudoisxis disse...

Do alto do pedestal, que nem santa olha os adoradores, que em preces suplicam o alivio de suas dores, esquecidos das dores do passado,de uma dama não de espadas mas de ferro enferrujado.
Feita de pau carunchoso, maquilhada a preceito ei-la no altar acolhendo os fieis com promessas de milagres. E mais não digo, mas os sentires são iguais.
Um abraço.