sexta-feira, 19 de junho de 2009

A MANILHA VAI SECA (28): Sócrates, o grego

Lembram-se como é que a Grécia ganhou o Euro’2004? Preparem-se, porque José Sócrates está pronto para usar uma táctica semelhante nas Legislaivas’2009.

Depois da goleada sofrida nas Eleições Europeias, o secretário-geral do PS parece um homem novo, mais sereno, mais dialogante, mais calmo, menos arrogante. Puro engano, meus amigos, puro engano. Ele está a atirar-vos areia para os olhos, o que, de resto, é uma especialidade dele. Cada gesto de Sócrates tem sempre múltiplas leituras.

A entrevista do primeiro-ministro à SIC representa um Sócrates a jogar com três centrais, dois laterais e dois trincos. Ou seja, a jogar completamente à defesa, com o autocarro estacionado à porta da baliza; sobram, portanto, dois extremos e um ponta de lança, que, nestes últimos tempos, parecem ausentes do jogo. Por agora, joga-se para o empate e venha daí um ponto, até porque o PSD não está a jogar grande coisa e não desenvolve jogadas de ataque que façam suar a defesa ou que dêem trabalho ao guarda-redes.

Parecem. Quando chegar a altura certa, um dos extremos vai recuar no terreno, apanha a bola, desenvolve o contra-ataque rapidíssimo, cruza para o ponta de lança e… se as coisas correrem bem, o guarda-redes está batido.

Não percebi ainda se Sócrates vai lançar o seu contra-ataque em pleno mês de Agosto (altura em que, devido à falta de notícias com que se debatem todos os jornais e telejornais, qualquer novidade tem sempre mais espaço) ou já em Setembro, numa altura em que o país volta a acordar para a realidade, depois de umas semanas de barriga para o ar ao sol. Cada timing tem as suas vantagens e desvantagens, que, decerto, serão friamente ponderadas por um Sócrates que já não é rei e senhor do campo de jogo.

A única coisa que sei é que Sócrates vai, de certeza, anunciar medidas extraordinárias nos próximos meses. E não me surpreendia se fosse uma descida do IVA de 20 para 19 por cento, embora o actual primeiro-ministro seja homem para ir muito além disso numa tentativa desesperada de ganhar votos. Não me espantava nada que chegasse mesmo ao cúmulo de dar um subsídio de desemprego a todos os trabalhadores precários (ou seja, a recibos verdes) ou que estendesse a atribuição desta prestação social para além do prazo normal, numa medida que, decerto, iria atirar a Segurança Social para a ruptura, mas que, ao mesmo tempo, seria do agrado de muitos eleitores - em especial daqueles que, desesperados e como forma de protesto, votaram no BE nas Europeias.

Enfim, deixo à vossa imaginação como se processará o contra-ataque de Sócrates e do PS.

Depois, se Sócrates tiver sentido táctico, deverá aguentar o jogo até ir a penálties e explorar as enormes fragilidades do guarda-redes adversário. Como tal, deverá forçar Manuela Ferreira Leite para um debate a dois, que, se for rejeitado pela líder do PSD, deixará a nada simpática senhora na condição de covarde. Se Ferreira Leite aceitar o duelo, perderá logo no primeiro momento em que abrir a boca, posto que lhe faltam a capacidade discursiva, a linguagem gestual, a rapidez de raciocínio, a pujança vocal e a argúcia do seu adversário; em compensação, a líder do PSD tem o dom nato de, em poucas palavras, dizer as maiores alarvidades do Mundo (Lembram-se dos homossexuais? Das obras para ucranianos e cabo-verdianos?).

Por isso vos digo: gostem ou não do senhor, não dêem Sócrates por derrotado. Ele ainda tem pernas para correr até ao final dos 90 minutos.


(Ok, hoje troquei as cartas por futebol. Só para variar um pouco)

1 comentário:

R. Rudoisxis disse...

Numa de recordação foram apenas dois jogos perdidos o primeiro e o último. A história repetir-se-à?
Afinal quem são os gregos e quem virão a ser os portugueses?
Será que noutros encontraremos os nossos representantes legitimos se no passado o não foram o que levou a uma mudança de rumo.
É complicado falar e pensar sobre o assunto sendo que a passividade e o deixa andar fazem parte do nosso modo de ser.
Certo é que precisamos de uma selecção nova construida de raiz e dando oportunidade àqueles que nunca jogaram. Talvez quem sabe se esfarrapem todos e ganhem alguns pontos para provar o seu valor.
No país das novelas,que é um novelo com [fios] partidos em que não hà ponta por onde se pegue.
Não custa experimentar,afinal vença quem vencer o jogo aparentemente está perdido logo no começo.
Um abraço