
Hoje, olho para Portugal e, uma vez mais, vejo sinais de loucura, de fim de regime, de término de era. Não vejo um promotor da Justiça a absolver responsáveis por uma tentativa de revolução e tão pouco adivinho um poder militar/policial doentiamente obcecado por fazer cair Governos, mas vejo uma pátria doente, quiçá com maleitas ainda piores do que as que apontava Carmona em 1925. Sim, porque, neste momento, não vejo apenas uma classe política fétida e nojenta, entretida em batalhas campais enquanto o povo mergulha na mais profunda miséria. Vejo-os, loucos, em toda a parte.
E passo a citar três exemplos de uma pátria doente.
Numa viela do Bairro Alto, em Lisboa, por causa de um cigarro, uma discussão acaba com um jovem de 19 anos esfaqueado mortalmente. Numa pátria doente e sem valores, por dá-cá-aquela-palha, tira-se a vida a um rapaz que nem duas décadas de existência tinha.
Mais a Norte, no Porto, a eleição para o secretariado do PS da Sé do Porto, na sede da secção, terminou ao murro, à cadeirada e com ameaças de morte. O próprio presidente da Junta de Freguesia esteve entre os alegados agressores ao líder de uma lista contrária, numa clara demonstração de que a democracia, mui bela palavra, existe apenas e cada vez mais num velho documento chamado Constituição. Fora do texto que rege a Nação, reina a força dos punhos.
Já no Seixal, um funcionário da Câmara, ao saber que o edil Alfredo Monteiro havia assinado o despacho da sua exoneração, agarrou num camião do lixo, descarregou-o, dirigiu-se à moradia do presidente da Câmara, sita nos Foros de Amora e, após bater em vários carros, fez questão de atirar o veículo contra o muro da vivenda; em seguida, fez marcha-atrás, arrancou, despistou-se, capotou. Felizmente, ninguém saiu ferido, a não ser a sanidade mental de um indivíduo… e, porventura, de todo um povo, que aceita que se mate por um cigarro, que se decidam eleições ao murro e à cadeirada ou que se atirem camiões contra vivendas.
Se quisesse, poderia continuar a citar exemplos, mas, sinceramente, não me apetece mais. Vivo num país que me agonia e que se agonia a cada instante que passa.
A pátria está doente. Carmona tinha e tem razão. Mas que não me tragam como cura a peçonha que nos serviram entre 1926 e 1974.
1 comentário:
Dr.Mento
Magnífico post que subscrevo inteiramente.
Para onde caminhamos?
Abraço
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