segunda-feira, 25 de maio de 2009

VALETE DE COPAS (2): Duas semanas depois

Passaram quase duas semanas desde o dia em que, de forma pacífica e traumática, coloquei um ponto final na minha ligação a uma certa empresa. Estranhamente, sinto-me apenas um pouco melhor. Apenas um pouco, agora que findou o terror. Temo que reais e efectivas melhorias no meu estado de espírito possam demorar ainda algum tempo. Os horrores laborais deste último ano foram maiores do que eu poderia imaginar e temo que as sequelas possam manter-se por muito tempo.

Há momentos em que me sinto incapaz para escrever o que quer que seja. É mau demais para quem ganhou a vida a escrever. A inspiração foge-me por entre os dedos, por entre os poros de uma mente cansada, sem ânimo. Não sei onde quero estar ou se quero estar algures.

Nada sei.

A não ser que ainda sinto em mim vestígios de meses que não deveriam ter existido.

Por favor, não deixem que vos façam o que me fizeram. A vossa saúde mental não tem preço, nem mesmo o de um ordenado ao fim do mês… que, no meu caso, raras vezes era pago. Devia ter cortado o mal pela raiz há muito tempo…

2 comentários:

SILÊNCIO CULPADO disse...

Dr.Mento
À grande maioria das empresas falta-lhes aquela cultura necessária ao desenvolvimento e ao progresso através da potencialização dos seus recursos humanos. A maioria das empresas transforma-se em arenas onde os combates chegam até às últimas consequências.
Eu passei por uma assim e, passados 5 anos, ainda sinto os efeitos das pressões ilegitimas e das faltas de respeito. Pagavam-me é certo. E até nem me pagavam mal. Mas haverá um preço para este sofrimento? Muitas vezes pensei que se não tivesse um filho mandava tudo às urtigas. Afinal acabei por mandar mais cedo do que esperava. É bom? Talvez. Mas fica aquele vazio de quem deu tudo e sente que continuava válida para continuar a dar. Mas o País não vive das competências e, por isso, está como está.
Que fazer então? Procurar alternativas que não têm que passar necessariamente por actividades remuneradas. Ou então trabalhar seja no que for porque o pior de tudo é a desaceleração brusca que nos traz essa sensação de impotência.
As pessoas são postas à prova nas dificuldades. É aí que se revelam. Por isso, amigo, em frente.

Abraço

Susana disse...

Dr. Mentos: Como a Lídia diz, ânimo!

Por vezes é em tempos adverso que surgem oportunidades únicas. O que quer que tenha acontecido, vire esta página e recomece outra, completamente branca, e seja dono da sua história!

Um abraço, Susana