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segunda-feira, 3 de agosto de 2009

JOKER (12): O programa eleitoral do PS em versão top-secret

Sim, eu sei que o PS já apresentou o seu programa para as Legislativas. Só que ninguém vos explicou que programa era esse e eu, que tudo sei e tudo digo, digo-vos, porque sei, que o programa apresentado é apenas o programa do PS ao eleitorado. Trocando por miúdos, os socialistas apresentaram o programa do saca-votos.

Na verdade, segundo apurou este vosso escriba, existe um segundo programa do PS. É o programa de Governo, que está guardado a sete chaves numa gaveta do Largo do Rato, mesmo ao lado do socialismo. Só que o vosso Dr. Mento, doutorado na escola socrática, é especialista em encantamentos de serpentes e demais répteis e, com duas palavrinhas, lá conseguiu fazer com que uma empregada da limpeza fosse à dita gaveta tirar de lá o programa para poder ser lido e fotocopiado.

E aqui está ele, em rigoroso exclusivo para Vilar de Andorinho e, quem sabe, para o Mundo:

1 - A prioridade número um do Governo será fomentar o investimento público e a criação de novos postos de trabalho.

2 - Para fomentar o investimento público e a criação de novos postos de trabalho, o Governo vai lançar, com a máxima urgência, o concurso público para a construção de quatro novas linhas ferroviárias de alta velocidade, as quais levarão o país aos píncaros do progresso: Lisboa-Cacilhas, Porto-Gondomar, Faro-Patacão e Castelo Branco-Cebolais de Cima.

3 - Por decreto, o concurso público terminará com a adjudicação das quatro obras à Mota-Engil.

4 - Se o cabrão do algarvio se lembra de vetar esta merda, o Governo, por decreto, obriga-o a ler os DEZ cantos dos Lusíadas de trás para a frente.

5 - Para promover o investimento público, a criação de emprego e a coesão do território nacional, não mais será necessário optar pela construção de um novo Aeroporto Internacional de Lisboa na Ota ou em Alcochete, já que será construído um Aeroporto Internacional de Lisboa na Ota e outro Aeroporto Internacional de Lisboa em Alcochete.

6 - Os defensores da manutenção do actual Aeroporto Internacional de Lisboa poderão estar descansados, porque o Governo, para promover o investimento público, a criação de emprego e a coesão do território nacional, irá também construir um Aeroporto Internacional de Lisboa na Portela.

7 - Por decreto, o concurso público terminará com a adjudicação da construção dos três aeroportos à Mota-Engil.

8 - Se o filho-da-puta do algarvio mandar esta merda para o Tribunal Constitucional, o Governo obriga-o, por decreto, a comer VINTE bolos-rei enquanto responde a perguntas dos jornalistas.

9 - Para fomentar o investimento público e a criação de novos postos de trabalho, o Governo vai lançar um concurso público para a construção de uma nova auto-estrada paralela à A1 e de uma outra paralela à A2, para que os portugueses tenham mais oportunidades de escolha na hora de se deslocarem de automóvel, não ficando condicionados às vias anteriormente existentes.

10 - Por decreto, o concurso público terminará com a adjudicação destas duas empreitadas à Mota-Engil.

11 - Se o mangas-de-alpaca do algarvio se lembra de embirrar com esta merda, o Governo, por decreto, organizará um buzinão à porta do Palácio de Belém.

12 - Serão criados 150 mil novos postos de trabalho com base no investimento público.

13 -Por decreto, quem fizer piadinhas sobre os 150 mil novos postos de trabalho, será deportado para a Coreia do Norte.

14 - Por decreto, o Bernardino Soares será deportado para a Coreia do Norte, mesmo que não tenha feito piadinhas sobre os 150 mil novos postos de trabalho. Aliás, o gordo não necessita de fazer piadinhas, porque ele, por si só, já é uma piadinha de mau gosto.

15 - As energias renováveis serão a grande aposta do futuro, para promover o fim da dependência do país em relação ao petróleo e garantir a sustentabilidade do território, ao que se acrescenta a criação de novos postos de trabalho.

16 - Os parques naturais Peneda-Gerês, Sintra-Cascais e Arrábida serão incendiados, de molde a poder criar novos postos de trabalho nas corporações de bombeiros voluntários, sendo que os territórios ardidos estarão destinados a novos parques eólicos.

17 - A construção dos parques eólicos e remoção das árvores vai ser adjudicada directamente, por concurso público internacional, à Mota-Engil.

18 - Se o sacana do Algarvio levantar dúvidas em relação a esta merda, o Governo, por decreto, obriga-o a escrever mil vezes: “Não mais vetarei o Estatuto Político-administrativo dos Açores, posto que este é um documento brilhante, aprovado pelos deputados da Nação, criado por mentes sábias e deslumbrantes”.

19 - A Avenida da Liberdade, em Lisboa, será rebaptizada de Avenida José Eduardo dos Santos, em homenagem a um homem notável e brilhante, que potenciou a democracia e a liberdade em Angola, bem como o desenvolvimento económico e social do país, que é hoje uma referência em todo o Mundo.

20 - Por decreto, o PS aceita uma mala de dinheiro em forma de donativo e envia um obrigado ao cabrão do preto.

21 - Cada bebé nascidoserá subsidiado pelo Governo com 200 euros em acções do BPN.

22 - O casamento entre pessoas do mesmo sexo será uma prioridade do Governo para a próxima legislatura, altura em que o Governo anunciará ao país e ao Mundo que o casamento entre pessoas do mesmo sexo será uma prioridade do Governo para a próxima legislatura.

23 - Por decreto ministerial, os licenciados da Universidade Independente passam a ter equivalência directa ao doutoramento, sem necessidade de prestarem mais provas para além de um pequeno exame de Inglês Técnico, que poderá ser realizado em casa.

24 - Por decreto ministerial, Manuela Ferreira Leite será proibida de utilizar a expressão “piquenas e médias empresas”.

25 - Por decreto ministerial, Francisco Louça será proibido de utilizar a capacidade da fala.

26 - Por decreto, Mário Nogueira será obrigado a cortar o bigode e a leccionar duas horas de aulas por semana.

27 - O Governo reprimirá a violenta manifestação de professores que se seguirá, com a FENPROF a acusar o Governo de ter morto Mário Nogueira com tanto trabalho desumano e escravo.

28 - Por decreto, a ASAE será considerada constitucional e um garante das liberdades, direitos e garantias dos cidadãos.

29 - A ASAE fechará 90 por cento dos restaurantes e cafés do país, como forma de combater o ócio e a convivência subversiva entre pessoas de ideias subversivas, que vão para estes espaços pôr em dúvida a genialidade deste Governo.

30 - A ASAE encerrará as cozinhas das habitações de todos os subversivos, que falam de política à hora do jantar, quando deveriam, isso sim, comentar favoravelmente as maravilhas operadas pelo Governo do PS no desenvolvimento de Portugal.

31 - Os meios de comunicação social que não apoiem as iniciativas do Estado e revelem comportamentos subversivos e anti-progresso, serão encerrados e os seus proprietários multados.

32 - Só será conferida a Carteira de Jornalista a pessoas filiadas em partidos cujo símbolo contenha um punho erguido e cuja sigla contenha somente duas letras.

33 - Por decreto, o Governo, através da ERC, obrigará todos os blogues a conferirem espaços iguais para todas as forças políticas, sendo que os candidatos a cargos públicos não poderão postar durante os 128 meses anteriores à realização de um acto eleitoral ou referendo.


ADENDA AO PONTO 33: José Pacheco Pereira é considerado candidato. Não sabemos a quê, mas é.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

JOKER (11): Poesia popular

Joana, boa moça e moça boa,
De olho azul, de cor de mar,
Deixa todo o homem à toa,
Deixa todo o homem a sonhar.

Joana, boa moça todos os dias,
Tinha dono, era a moça do Xico,
Homem sem demais alegrias,
Douto pobre, mas quase rico.

Certo dia, no meio da praça,
Passou um velho de Lisboa.
E olhando ele p’ra tanta graça,
Disse então à boa moça boa:

“Levava-te daqui para fora,
Fazia de ti mais que princesa,
Fujamos, sem mais demora,
Que a tenho mais que tesa!”

Foi-se a Joana com o idoso,
Ficou o Xico a esbracejar,
Mas um dia, volta ao pouso
Joana dos olhos cor de mar.

Gritou então o Xico irado:
“Não mais serás dirigente!”
Ficou ele ainda mais amuado,
Ficou ela mais longe da gente.

Só que Joana, mui pecadora,
Tinha mais um pretendente.
Era filósofo de hora a hora,
Era mentiroso indulgente.

Sorrindo para a moça do Xico,
Veio ele e então questionou:
“Pois que sou um homem rico,
O que a ti, bela Joana, te dou?”

“Vai-te daqui, filho de Barrabás,
Leva promessas e palavrinhas,
Sois corno e mau, sois Satanás,
Que cose seu pano com más linhas!”

Foi então a arrependida Joana
Relatar tudo a seu marido,
Que logo pegou na sua catana,
Dizendo: “Ele está mas é fodido!”

Houve sangue, houve lamentos,
Mas o filósofo até não morreu.
Virou-se ele para outros intentos
E nos braços de Miguel adormeceu.


(Está uma bela merda, eu sei)

terça-feira, 28 de julho de 2009

JOKER (10): O quinto poder (não levar a sério, por favor)

Quero fazer um novo blogue.

Quero fazer um blogue de apoio.

Quero fazer um blogue de apoio a qualquer coisa.

Já há blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita, de extrema-esquerda.

Falta um blogue de extremo centro.

Faltava, porque vou criar um.

Um blogue de apoio ao movimento de extremo centro.

Que vai ser Governo.

Um dia destes.

Crio um perfil.

Como sou (bem, fui) jornalista, tenho credibilidade.

Todos os jornalistas têm credibilidade.

Todos os jornalistas têm um blogue.

Todos os jornalistas criticam a falta de credibilidade dos outros jornalistas que têm um blogue.

E eu passo a ser jornalista, com blogue, com credibilidade e com acusações de falta de credibilidade.

Crio o blogue.

Posto umas larachas e, em seguida, vou aos blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita e de extrema-esquerda insultar toda a gente.

Em seguida, os bloguistas dos blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita e de extrema-esquerda vêm ao meu blogue insultar-me e chamar-me de cabrão para baixo.

Depois, falo um post a queixar-me dos insultos de que fui alvo e de como os bloguistas dos blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita e de extrema-esquerda são gente sem sentido democrático.

Entretanto, os bloguistas dos blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita e de extrema-esquerda voltam ao meu blogue para dizerem que eu é que não tenho sentido democrático, que sou um fascista, um salazarista, um comunista, um motocilista e mais uns istas.

Amuo.

Posto mais umas larachas e, em seguida, vou aos blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita e de extrema-esquerda insultar toda a gente.

As visitas ao meu blogue passam a fasquia de um milhão.

A Visão faz uma reportagem sobre o meu blogue.

A Sábado faz uma reportagem sobre o meu blogue.

Os blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita e de extrema-esquerda dizem que a Visão e a Sábado não têm credibilidade.

A SIC descobre que existem blogues.

A SIC faz uma reportagem sobre a blogosfera e fala de mim.

Passo a barreira dos 10 milhões de visitas.

Passo a ter patrocínios da Sumol, EDP-Energias Renováveis, Vodafone, Galpenergia, Nissan, BES e Escapes Caravalho.

Ganho dinheiro.

Vou de férias para a Polinésia Francesa.

Faço um post sobre as minhas férias na Polinésia Francesa.

Os blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita e de extrema-esquerda insultam-me por passar férias na Polinésia Francesa.

Vou aos blogues de esquerda, de direita, de centro, de extrema-direita e de extrema-esquerda insultar toda a gente que não passa férias na Polinésia Francesa e que tem inveja de quem tem bom gosto o suficiente para passar Férias na Polinésia Francesa.

Sou convidado para uma BlogConf.

Masturbo-me dez vezes depois de receber o convite.

Vejo o Sócrates em carne e osso.

Faço-lhe perguntas e ele responde-me.

Ele tem medo de mim.

E não se atreve a criticar-me.

A não ser quando está no seu blogue, a coberto de um pseudónimo.

Coisa que não uso, pois claro.

Sou importante.

Sou mais um na blogosfera.

SOU MEMBRO DO QUINTO PODER.

Ámen.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

JOKER (9): O programa secreto do PSD para as Eleições Legislativas (em rigoroso exclusivo planetário)

O ONZE DE ESPADAS teve acesso ao programa eleitoral que o PSD vai apresentar para as eleições de 27 de Setembro. É bem provável que o programa que Manuela Ferreira Leite mostre aos portugueses seja um pouco diferente, mas uma série de fontes anónimas dentro do PSD mostrou ao Dr. Mento o verdadeiro programa eleitoral social-democrata, o qual sairá do papel para a prática se as hostes laranja conseguirem vencer as Legislativas.

Aqui vai o programa (em rigoroso exclusivo em toda a Via Láctea e, quem sabe, em toda a Europa):




1 - Imediatamente após a tomada de posse do novo Governo, a democracia será suspensa por seis meses, para que possam ser realizadas as necessárias reformas à evolução do país.

2 - Findos os seis meses de suspensão da democracia, a citada suspensão será revogada até que estejam em prática todas as reformas necessárias à evolução do país ou até que a Dra. Manuela Ferreira Leite sofra grave um acidente com uma cadeira de lona enquanto trata dos pés.

3 - Todos os homossexuais (que passarão a ser denominados de «panascas» ou «camionistas», consoante estejamos a falar de machos ou fêmeas) serão enviados para as Berlengas sem alimento e sem direito à obtenção de géneros vitais. Com esta medida, cria-se um local onde os panascas e as camionistas poderão viver em paz e sossego, longe da vista das pessoas de bem, que desejam procriar e encher Portugal de criancinhas.

4 - Todos os ucranianos e cabo-verdianos residentes em Portugal, independentemente da sua orientação sexual, serão igualmente enviados para as Berlengas, onde terão a seu cargo a construção das necessárias infra-estruturas para tornar a ilha habitável. Também não terão direito a víveres ou à obtenção destes.

5 - Todos os membros e simpatizantes da Quercus serão igualmente enviados para as Berlengas, depois de a associação ambientalista vir a público denunciar o grave crime ambiental que o Governo pretende cometer naquele arquipélago que se avista de Peniche. Os membros e simpatizantes de organizações subversivas como a Amnistia Internacional, a Solidariedade Imigrante ou a SOS Racismo serão para lá enviados em seguida. Alimentos e bens de primeira necessidade não lhes serão facultados, dado que o controle das finanças públicas não permite tais luxos.

6 - Vinte mil funcionários públicos serão executados em praça pública, de modo a reduzir a despesa do Estado e a controlar o défice das finanças públicas, seguindo à risca as directrizes do Banco Central Europeu.

7 - Um decreto ministerial decretará que o PS deixou o país de tanga. Um segundo decreto, que também não necessitará de ser apreciado na Assembleia da República (afinal, a democracia deverá estar suspensa), decretará o fim da crise.

8 - O companheiro José Manuel Durão Barroso será reeleito para a presidência da Comissão Europeia. Caso algumas nações ou forças políticas pretendam apresentar um candidato alternativo, o Estado português lança uma ameaça: enviar o Alberto João Jardim para o Parlamento Europeu.

9 - Com excepção do Governo e da Presidência da República, todos os demais serviços do Estado serão privatizados, sendo que os funcionários públicos que não forem absorvidos pelas novas entidades privadas deverão ser enviados para as Berlengas, ou, em alternativa, executados a golpes de machado e usados como fertilizante.

10 - As verbas angariadas com a privatização dos serviços do Estado serão usadas para apoiar a Região Autónoma da Madeira e as piquenas e médias empresas.

11 - O Ministério da Cultura será extinto. Não faz cá falta. Cultura é coisa de panascas e camionistas.

12 - As verbas anteriormente destinadas à Cultura serão usadas para apoiar a Região Autónoma da Madeira e as piquenas e médias empresas.

13 - A interrupção voluntária da gravidez vai voltar a ser ilegalizada, como forma de promover os apoios a clínicas espanholas e inglesas, que, recorde-se, são também piquenas e médias empresas.

14 - O divórcio será ilegalizado. Anteriores divórcios realizados serão considerados nulos à luz de Deus e do Espírito Santo. Ámen.

15 - Os partidos com a seta virada para o céu ou com as setas viradas para Deus poderão receber donativos em dinheiro vivo sem qualquer registo da sua proveniência. As piquenas e médias empresas poderão, se assim o entenderem, apoiar estes mesmos partidos com contribuições em cheque, dinheiro vivo ou por transferência bancária; também são aceites géneros, designadamente viaturas de cor preta.

16 - Serão dados apoios excepcionais às piquenas e médias empresas.

17 - Um decreto proibirá o investimento público. A construção de uma rede ferroviária de alta velocidade, de uma nova travessia sobre o Tejo ou de um novo aeroporto de Lisboa será concessionada a piquenas e médias empresas através de concurso público. As piquenas e médias empresas que contribuírem para o prestimoso funcionamento dos partidos com as setas viradas para o véu ou para Deus terão acesso a vencer os supracitados concursos públicos através do ajuste directo.

18 - Se o PSD for obrigado a fazer uma coligação com o CDS-PP, todos os estudantes de todos os graus de ensino serão obrigados a cantar o hino nacional antes do início das actividades lectivas de cada dia e antes mesmo de darem duas arrochadas na professora por causa de um telemóvel. Findo o cântico, serão igualmente obrigados a proferir, em voz convicta, a seguinte saudação: “VIVA PORTUGAL, VIVAM AS PIQUENAS E MÉDIAS EMPRESAS, VIVA!”

JOKER (8): Senhor deputado, o senhor deputado sabe, senhor deputado, que eu também vou ser senhor deputado, senhor deputado

Minhas amigas e meus amigos, minhas senhoras e meus senhores.

Venho, por esta forma, comunicar-vos, a título puramente oficial e em primeiríssima mão, que um ilustre partido político português, cujo nome não vou revelar, endereçou, à minha douta pessoa, um honroso e mui estimado convite para integrar as suas listas de candidatos a deputados à Assembleia da República. Trata-se, sublinho, de um lugar perfeitamente elegível, com a ressalva de, caso o partido em questão vença as Eleições Legislativas, eu poder receber novo convite, desta feita para ocupar um qualquer lugar no novo Governo que nascerá dos resultados do sufrágio popular de 27 de Setembro.

Perante tão elogioso convite endereçado à minha genial, divina e modesta pessoa, confesso-vos que, numa primeira fase, me senti inclinado a declinar tão maravilhosa proposta, ainda para mais, feita por um partido de enormes pergaminhos na defesa da democracia e do bem-estar dos portugueses. Bem sei que a deusa Fortuna está cega e surda para as minhas preces e que a minha alma se arrasta por centros de emprego fétidos e imundos, mas senti que, em Portugal, haveria gente ainda menos qualificada do que eu para ocupar um lugar na Assembleia da República, o local onde se sentam os representantes da vontade do povo. Contudo, deitando ambos os joelhos por terra, um ilustre representante do citado partido implorou para que aceitasse. “Tu és o mais douto, os mais brilhante, o mais sábio de entre todos os que se julgam doutos, brilhantes e sábios”, disse-me o dirigente, com a face molhada em lágrimas.

Decidi então aceitar. Mas jurei a mim mesmo que, nos próximos meses, iria trabalhar com afinco para estar ao nível dos deputados da Nação, o que, sei-o bem, me obrigará a um substancial esforço até poder estar entre os piores. E para vos provar que estou mesmo apostado em me tornar um verdadeiro eleito digno de ter o meu lugar no célebre hemiciclo do Palácio de São Bento, anuncio, desde já, que, no próximo mês de Agosto, ao invés de ir a banhos, irei estar deitado numa mesa de operações para proceder à amputação de metade do meu encéfalo e à remoção integral da minha coluna vertebral.

Diante do espelho, ensaio já as minhas falas.

- Se o meu partido perder as Legislativas e for para a oposição: “Senhor primeiro-ministro, o senhor primeiro-ministro sabe, senhor primeiro-ministro, que o senhor primeiro-ministro está a mentir, senhor primeiro-ministro, porque aquilo que o senhor primeiro-ministro disse, senhor primeiro-ministro, não é verdade, senhor primeiro-ministro. O senhor primeiro-ministro disse uma coisa na semana passada, senhor primeiro-ministro, mas agora, senhor primeiro-ministro, o senhor primeiro-ministro vem dizer justamente o contrário, senhor primeiro-ministro. Em que é que ficamos, senhor primeiro-ministro?”

- Se o meu partido vencer as Legislativas e formar Governo: “Senhor deputado, o senhor deputado sabe, senhor deputado, que aquilo que o senhor deputado diz agora, senhor deputado, é o contrário daquilo que fez quando o seu partido estava no Governo, senhor deputado. Um dia, senhor deputado, o senhor deputado diz uma coisa, senhor deputado, mas, quando são os outros a dizer o mesmo, senhor deputado, o senhor deputado vem e diz o contrário, senhor deputado. O senhor deputado, senhor deputado, é que está a mentir aos portugueses, senhor deputado, e o senhor deputado sabe, senhor deputado, que não está a dizer a verdade, senhor deputado. Porque este Governo, senhor deputado, é um Governo que faz, senhor deputado, ao contrário do seu Governo, senhor deputado, que deixou o país de tanga, senhor deputado e o senhor deputado faz essa cara mas sabe que é verdade, senhor deputado.”

Contudo, quero aqui salientar que, apesar de ter aceite um convite que me irá guindar para a Assembleia da República e, quiçá, até mesmo para um cargo ministerial, jamais deixarei de ser a mesma pessoa que todos conheceram. Jamais me deixarei corromper, seja no que for, e sempre pautarei a minha acção e palavras, seja neste blog, seja no dia-a-dia, pela isenção, pela justiça, pela verdade. A propósito, já vos disse que ainda está para nascer um primeiro-ministro que faça mais por Portugal do que José Sócrates?

terça-feira, 7 de julho de 2009

JOKER (7): Agarrem-me, que eu vou para o Brasil!!!

Pois é, meus caros amigos, o vosso Dr. Mento vai deixar-vos. Na verdade, não sois vós quem eu abandono, mas sim esta pátria ingrata e cruel, onde a insana voracidade de uns abandona os demais, seus iguais à nascença, à mais triste e desditosa das sortes. Amargo, sim, quiçá inclemente e irredutível, mas eis chegada a hora de partir, dizer adeus, contemplar as gentes que acenam e não mais voltar a olhar para trás.

Nesta altura da minha vida, é chegada a hora de uma decisão. A minha está tomada: tal como os meus antepassados de quinhentos, parto numa nau de madeira e velas de pano em busca da minha terra prometida, onde erguerei a Veraz Cruz dos meus sonhos. Portugal, mesquinha piolheira, será passado. Brasil, terra de esperanças mil, será futuro enquanto não passar a presente.

Por cá, viu vilipendiado, ignorado, desprezado, hostilizado. Lá, no país dos sonhos em tens de verde e amarelo, sei que os meus mil talentos e saberes serão merecedores de mil elogios, mil reconhecimentos, mil aplausos. São gentes civilizadas, aquelas, sedentas de novos génios incompreendidos aos quais saberão dar o devido reconhecimento. Bem sei que todos os génios são incompreendidos. E a mim ninguém me compreende.

NÃO, NÃO E NÃO!

Escusam de se prostrar num gesto clemente, deitando por terra vossos joelhos. A decisão está tomada e mais do que tomada. O primeiro avião que me deixar em Jundiaí será o meu passaporte para a liberdade, para a felicidade. Em Jundiaí, erguerei o meu castelo, não de sonhos por cumprir, mas de pedras nascidas do suor dos meus talentos.

NÃO! JÁ DISSE! ESCUSAM DE IMPLORAR!

Vou para o Brasil para ser feliz, voltando costas a um país abjecto que me voltou as costas.

NÃO RECONSIDERO COISA NENHUMA!

Eu vou. Já estou a fazer as malas. Em breve, não mais português serei quando a minha nacionalidade brasileira mostrar ao Mundo as feridas que a lusa pátria abriu no meu coração. A mim e a tantos outros, meus pares na desgraça infinda. Maria João Pires já foi, Miguel Sousa Tavares já vai e o Padre Frederico já lá está. Todos, à sua maneira, gentes de talento, gentes escorraçadas por um país avaro para os seus talentos. Ó, inglória pátria, que nem um mísero subsídio me dais para pôr em marcha os meus mil projectos e sonhos.

NÃO! EU…

O quê? Uma contra-proposta? Como assim?

Ah!, pois.

Mas… num banco? Ainda por cima na Caixa Geral de Depósitos? Têm mesmo a certeza? Eu nem percebo grande coisa de bancos, finanças, economia, gestão…

Pois. Sim, compreendo. É para ser administrador não executivo. Estou a perceber. Vou lá uma vez por semana, pico o ponto, recebo o meu e tenho carro com motorista pago pela Caixa. O que fizer com os meus dias é da minha inteira responsabilidade, que a Caixa nada tem a ver com isso. Pois, faz sentido, se não percebo nada de bancos, não vale a pena ir lá muitas vezes e nem sequer iria fazer muito sentido ir às reuniões para fazer figura de corpo presente. Para isso, fico esquecido na cama, no vale dos meus lençóis.

Sim, nesses termos vale a pena. Se bem que se me dessem um subsidiozinho…

Ah!, tenho que almoçar com o ministro. Não faz mal. Mas a conta do almoço é paga pela Caixa, que eu não sou rico para andar a desbaratar dinheiro com poucas-vergonhas.

Bem, pois é…

O tempo… está calor, não está?

Pois, pois, pois…

Enfim…

Ai, ai...

Sendo assim...

PUTA QUE PARIU O BRASIL!

(Sem ofensa!)

domingo, 5 de julho de 2009

JOKER (6): Uma ideia genial para arranjar 55 milhões de euros num abrir e fechar de olhos

Morreu.

Esticou o pernil, foi desta para melhor, empacotou, bateu a bota, aviou as malas, quinou, deu-lhe o badagaio, foi para a terra da verdade, virou presunto, faleceu.

Há lágrimas, caixão, flores, roupas negras, cadáver, lápides, coveiros, hipocrisias, condolências, padre, missa e umas pazadas de terra. Só que, no caso daquele cota esquisito que fez parte dos Jackson 5 (como é mesmo o nome dele?), há mais uma coisa a acrescentar: 17.500 bilhetes gratuitos para assistir ao funeral do senhor. Como estamos a falar de uma cerimónia de respeito, os bilhetes não vão ser vendidos, mas sim sorteados Staples Center e no Teatro Nokia em Los Angeles. Quem não conseguir o bilhete mais desejado (nem que seja na candonga), sempre pode assistir, no dia 7, ao enterro pela televisão.

17.500 bilhetes de borla.

Hum…

Não sabiam cobrar 50 euros pelo raio dos bilhetes? Pensem bem: multiplicando 17.500 por 50 atingimos a bonita quantia de 875 mil euros. Se puserem mais umas bancadas, sobe-se o número de espectadores para 30 mil (a capacidade de muitos estádios de futebol), o que elevaria as receitas para um milhão e meio de euros. Se fizerem a porcaria do funeral num estádio bem grande arranja-se lugar para 60 mil pessoas e os lucros sobem logo para os três milhões de euros.

E as televisões? A família do defunto diz que as televisões que estiverem interessadas, podem difundir as imagens do funeral. E onde é que ficam os direitos de transmissão? Se for cobrado meio milhão de euros pelos direitos de transmissão, não vai ser difícil arranjar uma centena de cadeias de televisão a querer comprar as imagens, o que dá logo mais 50 milhões de euros no bolso. É claro que as televisões vão chiar e dizer que é caro, que é isto, que é aquilo, mas, no final, arranjam sempre patrocinadores que paguem a conta. “O funeral de Michael Jackson é oferecido por: BES, Sagres, EDP - Energias Renováveis, Modelo, Worten, Compal Clássico e Cuecas Baiona”. Soa bem, não soa?

E o caixão? Tanto espaço livre não pode levar com os autocolantes de um par de patrocinadores, como acontece na Fórmula 1? Será que a Red Bull não estará interessada em patrocinar a experiência mais radical que alguém pode ter na porra da vida? Vá, dois milhões de euros e não se fala mais no assunto, mas com direito a uns autocolantes grandinhos na carrinha funerária. Mas é o patrocinador quem paga a rave no final do enterro, para homenagear o que virou presunto.

Como vêem, mesmo em tempos de crise, é fácil fazer dinheiro. Num par de horas, arranjei-vos 55 milhões de euros. Onze milhões de contos em moeda antiga.

Crise? A crise é só para os otários.

NOTA ADICIONAL: Por cá, um tal Manuel Pinho meteu-se a fazer uma pega de caras na arena errada e acabou mortinho para a política. Quando é que fazemos um enterro político decente para a criaturinha? Vá lá, com jeitinho, o Berardo ainda se oferece para patrocinar a brincadeira e até se arranjam 230 palhacinhos de São Bento para animar a malta ou para mandar o morto para o… baralho.

sábado, 20 de junho de 2009

JOKER (5): Dossier secreto sobre a nova cadeia de hotéis de charme em Lisboa

O ONZE DE ESPADAS orgulha-se de apresentar, aos seus ilustres e mui estimados frequentadores, o dossier secreto sobre os novos hotéis de charme que vão polvilhar Lisboa de turistas e de… pois, de charme.

O nosso blog, mantido por uma vasta equipa de colaboradores altamente bem informados (composta pelo sábio Dr. Mento e respectivo ego) teve acesso, em rigoroso exclusivo mundial (e, quem sabe, nacional), a documentos altamente e totalmente secretos sobre a nova cadeia de hotéis de charme que está prestes a nascer na capital mais bonita deste nosso bonito Portugal.

HOTEL S(E)BENTO: Instalada num antigo convento recentemente remodelado, esta unidade hoteleira promete trazer a Lisboa doses verdadeiramente cavalares de animação. De acordo com o projecto, este vai ser o primeiro hotel do país a contar com os préstimos de artistas das mais variadas áreas do entretenimento, desde poetas a contadores de histórias, passando por palhaços, malabaristas, ilusionistas, contorcionistas, trapezistas e engolidores de sapos. Para os apreciadores de espectáculos com animais, não faltarão as habituais touradas e circos de feras, embora, num registo mais soft, possamos também apreciar as habilidades de alguns cãezinhos amestrados e os bucólicos balidos da carneirada que pasta por estas paragens. Com cinco dos melhores chefs de Portugal na cozinha, as várias especialidades gastronómicas serão, obrigatoriamente, servidas num fumegante tacho.

POUSADA FLOR DO RATO: Por si só, o nascimento desta bonita pousada cor-de-rosa vai criar 150 mil novos postos de trabalho, maioritariamente na construtora Mota-Engil, à qual foi já adjudicada, por ajuste directo, a empreitada das obras de remodelação do edifício. Em total contraste com a arquitectura exterior, o interior será uma viagem até aos tempos da Grécia clássica, não faltando sequer um (agora) humilde filósofo de serviço a tentar rebater os argumentos dos pensadores sofistas de outras cores que não o cor-de-rosa. Todavia, um reparo: se as suas acomodações não forem do seu agrado não peça o livro de reclamações, já que há um augusto cão raivoso, de seu nome Silva, que mostra logo o dente a quem mostrar desagrado (e não vale a pena darem-lhe carne fresca). Consta que um famoso declamador possa, volta e meia, aparecer a espaços para declamar uns quantos versos de sua autoria, mas, segundo apurámos, o homem da voz de trovador anda meio zangado com o dono da pousada. Para quem quiser aprimorar o seu francês, pode contar com aulas particulares do Dr. Soares… isto se ele não estiver a dormir a sesta. Ao que apurámos, uma estadia de duas noites dá direito a talões de desconto no Freeport de Alcochete, onde, ao que dizem as más-línguas, as luvas em pura lã inglesa são caras (quatro milhões de euros o par).

HOTEL DO SENHOR SILVA: Esta unidade hoteleira é verdadeiramente recomendada a todos aqueles que sofrem de insónias crónicas e medicamente incuráveis, já que o seu proprietário, um algarvio que nunca se engana e raramente tem dúvidas, gosta de receitar aos seus hóspedes insones alguns dos seus melhores discursos. Na decoração desta unidade hoteleira predominam os tons cor-de-laranja, numa mescla de elementos oriundos do Algarve com uns laivos de inspiração da Capadócia. Este hotel tem também um eficaz serviço de recados (o proprietário da Pousada Flor do Rato que o diga), mas todas as reclamações arriscam-se seriamente a ser vetadas. Para os que quiserem conhecer melhor os recantos mais recônditos de Lisboa, recomendamos os excelentes roteiros do hotel.

HOTEL HOGWARTS À LAPA: Mais do que um hotel, este estabelecimento é uma escola de magia, onde uma ilustre feiticeira (por demais apelidada de bruxa) ensina os seus alunos a baixar impostos e a ajudar as “piquenas e médias empresas” com truques de magia simples. Para os iniciados, as aulas de ilusionismo serão um must, com Madame Forreta Leite a ensinar como baixar o défice das finanças públicas recorrendo a truques simples (e possíveis de realizar nas nossas próprias casas), como a venda de património. Há igualmente cursos de dizer a verdade e aulas particulares para engolidores de elefantes. No campo da animação, todas as noites terão lugar jogos bem divertidos, como um em que os participantes têm de enfiar o maior número de punhais nas costas dos seus adversários, sem que eles próprios apanhem uma facada. Há sessões de stand-up comedy com um senhor madeirense, que é também responsável pela venda de charutos cubanos e pela preparação das ponchas. O hotel dispõe de serviço de cabeleireiro (a cargo do senhor Lopes, que lançou um curioso corte masculino, com o cabelo bem comprido na zona da nuca) e de uma agência bancária do BPN - em cujo interior poderemos mesmo encontrar duas frondosas árvores (uma Oliveira e um Loureiro) que secam tudo em seu redor.

(Em breve, poderemos ter mais informações sobre a mais nova cadeia hoteleira de Lisboa)

sexta-feira, 22 de maio de 2009

JOKER (4): Governo Mãos de Tesoura

(Texto escrito após reler o post anterior e revisto após sugestão do APS)

Quando, um dia (muito) mais tarde, os historiadores fizerem um balanço do que foi o XVII Governo Constitucional, é bem possível que denominem este executivo de «Governo tesoura». De facto, olhando para estes mais de quatro anos de governação de José Sócrates, parece indubitável que os cortes foram a grande marca da acção de inúmeros ministérios.

Vejamos:

- Mariano Gago (Ciência, Tecnologia e Ensino Superior): Primeiro, CORTOU a Universidade Independente do panorama do ensino superior particular. Depois, fez o mesmo à Universidade Moderna e agora repete-se com a Universidade Internacional de Lisboa e da Figueira da Foz.

- Maria de Lurdes Rodrigues (Educação): Tratou logo de CORTAR as escolas que funcionavam em locais com poucos habitantes, que, sem estabelecimentos de ensino, ficam condenados a ter ainda menos gente no futuro. Para implementar o seu modelo de avaliação de docentes, CORTOU a direito e passou por cima de toda a gente, causando a ira de pais, professores, alunos, sindicatos, portugueses e estrangeiros residentes em Portugal.

- Ana Jorge (Saúde): Tem as tesouras mais ou menos guardadas, depois de o seu antecessor, Correia de Campos, ter CORTADO urgências hospitalares e maternidades como se não houvesse amanhã e de se ter tornado tão impopular que acabou CORTADO da lista de ministros. Já Ana Jorge meteu-se numa guerra com a Associação Nacional de Farmácias a propósito da possibilidade de serem vendidos genéricos mesmo contra a vontade do médico e decidiu CORTAR as vazas à malta da ANF.

- Manuel Pinho (Economia e Inovação): Graças à acção implacável da ASAE, CORTOU já inúmeros cafés e restaurantes dos guias de restauração, o que é interessante para um membro de um Governo que diz querer apoiar a criação de emprego e de empresas. Diz graçolas enquanto empresas CORTAM empregados por todo o País. Encolhe os ombros quando mais empresas decidem CORTAR de vez a produção, deixando milhares de pessoas no desemprego. É espantoso ver que José Sócrates não CORTOU este gajo do executivo.

- Augusto Santos Silva (Assuntos Parlamentares): Por ele, CORTAVA-SE o pio a todos os jornalistas e órgãos de comunicação social.

- Francisco Nunes Correia (Ambiente, Ordenamento do Território e Desenvolvimento Regional): Para começar, já se CORTAVA um pouco do nome do ministério, que é difícil de escrever, dizer e memorizar. Mas Nunes Correia preferiu CORTAR nas multas a certos poluidores, designadamente empresas (as suiniculturas de todo o País agradecem).

- Fernando Teixeira dos Santos (Finanças): Após o seu antecessor, Luís Campos e Cunha (o primeiro a ser CORTADO do Governo), ter subido o IVA, Teixeira dos Santos aproveitou a onda eleitoral para CORTAR um por cento ao imposto mais cego do Mundo. Lançou uma vasta série de iniciativas de modernização administrativa com o famoso SIMPLEX, que pretende, claro está, CORTAR nas burocracias. Nacionalizou o BPN, mas CORTOU-SE a fazer o mesmo em relação ao BPP, cujos clientes bem podem ir a Fátima de joelhos se quiserem que alguém olhe por eles. Inicialmente, pôs a máquina fiscal a recuperar toda e qualquer dívida em atraso (real ou imaginária), de molde a conseguir CORTAR violentamente no défice das contas públicas. CORTA o cabelo bem curtinho. Diz-se que, a breve trecho, poderá ser o próximo governador do Banco de Portugal, o que significa que Vítor Constâncio será, finalmente, CORTADO do cargo.

- Jaime Silva (Agricultura e Pescas): CORTOU nos subsídios a agricultores e pescadores, mas o que ele gostava mesmo de fazer era CORTAR do mapa de Portugal a agricultura e a pesca. Também já CORTAVA o bigode.

- Alberto Costa (Justiça): CORTOU às postas o que restava da credibilidade da justiça.

- Mário Lino (Obras Públicas, Transportes e Comunicações): CORTA fitas e vai a inaugurações. CORTOU-SE por causa de uma piada sobre aeroportos na Margem Sul do Tejo e acabou por ter se engolir um sapo de avantajadas dimensões.

- Vieira da Silva (Trabalho e Solidariedade Social): Uma vez que não consegue CORTAR no desemprego, CORTOU estatisticamente largos milhares de desempregados das listas do IEFP. A reforma da Segurança Social significa que muitos portugueses, no futuro, sofrerão violentos CORTES nas suas reformas.

- Rui Pereira (Administração Interna): O seu antecessor, António Costa, CORTOU direitos e mais direitos às forças de segurança, antes de se CORTAR do Governo e ir para a Câmara de Lisboa. Agora, Rui Pereira ameaça CORTAR do mapa algumas esquadras da PSP, mesmo se o ambiente do País, em termos de segurança, está de CORTAR à faca.

Assim, de memória, são estes os principais cortes que fixei.

Mas, claro está, temos ainda o nosso amigo José Sócrates, o homem que anunciou publicamente ter CORTADO o tabaco dos seus hábitos diários, depois de ter sido apanhado a exercer o feito vício num avião fretado pelo Estado. Tem vontade de CORTAR a cabeça aos miseráveis dos jornalistas que escarafuncham na merda para revelar pontos um tanto ou quanto obscuros do seu passado. CORTA todas as saídas à oposição, especialmente nos debates quinzenais na Assembleia da República, mas, nos últimos tempos, já se viu obrigado a CORTAR caminho para não perder a dianteira nas sondagens.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

JOKER (3): Sócrates em busca de noiva

(Hoje, combato o estado depressivo e confuso em que me encontro com humor e sátira)

José Sócrates está a pensar em arranjar uma noiva. Sim, eu sei. Há aquela moça, a Fernanda, que é jornalista e até é jeitosa (embora não seja propriamente uma Dama de Copas). Mas o que o nosso primeiro deseja é uma noiva para o seu PS, que, daqui a alguns meses, pode precisar de uma companhia para ir às touradas em São Bento, onde touros de cinco ganadarias inimigas investem furiosamente com as suas hastes contra os ilustres forcados do Aposento da Rosa.

José Sócrates quer uma noiva para o seu PS. Não interessa que a noiva seja bonita ou feia, interessa é que faça o PS feliz.

Vai daí, o nosso primeiro veste-se de lavadinho, tira o Ás de Copas da manga e vai tentar seduzir os pais de quatro ilustres noivas.

PRIMEIRA NOIVA: PCP
José Sócrates até tem algumas simpatias por esta moça canhota. O jovem PS também é canhoto, ao que dizem, embora escreva e assine (projectos) com a outra mão. Mas parece que houve alguns problemas entre amigos da rapariga e do jovem PS, que, no último feriado (o 1.º de Maio), andaram à bulha no meio de Lisboa. E dizem as más-línguas que não é a primeira vez que andam à pancada, embora os amigos da jovem PCP sejam sempre os primeiros a partir para a ignorância.
Esta miúda é complicada de génio e tem a mania que não há cartas marcadas e que os baralhos são de toda a gente. Se a contrariam, vai logo para a rua protestar e olhem que ela tem muitos amigos - alguns deles, da pior ralé que se conhece.
O problema é o pai da nova. Jerónimo, ilustre membro da família De Sousa, é um Rei de Paus difícil de quebrar, que não se deixa seduzir por cartas de Ouros. Vai daí, quando o nosso Sócrates vai para pedir a mão da moça, irrompe o furibundo Jerónimo bramindo: “Vai-te embora daqui, mais as tuas malfeitorias! Nunca houve Às de trunfo que tantas vazas cortasse às gentes que trabalham para manter a mesa de jogo a funcionar!”
Palavras não eram ditas e o nosso Sócrates é corrido da casa canhota a chumbos de caçadeira.
“Além do mais, a minha PCP já é casada com um rapaz muito jeitoso e todo ecologista, que separa as embalagens do cartão todos os dias”, disse Jerónimo com os seus botões.




SEGUNDA NOIVA: BE
É uma moça de fino trato, como o próprio Sócrates. E também é canhota. Dizem que tem umas amigas bem giras e até há uma delas, uma Joana não-sei-das-quantas, que já andou a fazer olhinhos ao Soares (o tal velhote, rijo que nem cornos, que diz ser o pai biológico do jovem PS). É uma pequena culta e sabichona, que, se calhar, peca por saber demais e por ser sempre do contra.
O problema é o pai da moça. Agora é doutor catedrático e julga que é o maior da freguesia dele. Fala bem, o homem, mas o nosso primeiro diz que ele diz muitos disparates. O que eu sei é que o Sócrates tem medo do doutor economista, é o que é.
José Sócrates ainda se aproximou da casa da BE das amigas boas, mas desistiu logo da ideia. O pai, o professor Francisco, leva cada vez mais toiros para São Bento e diz-se que, mais ano, menos ano, leva também forcados, cavalos e cavaleiros. Qualquer dia, é ele o primeiro cá do burgo, dá as cartas que lhe convém e manda logo nacionalizar as mesas de jogo que dêem muito dinheiro. E quase que aposto que mudava as regras do jogo para poder casar cartas do mesmo naipe sem haver renúncia.
Não, esta não. Antes burro que me carregue do que cavalo que me derrube.



TERCEIRA NOIVA: CDS-PP
Outra rapariga de bons modos. Embora, em casa dela, volta e meia, andem todos à estalada. Dizem que CDS-PP é católica e devota, que não gosta de poucas-vergonhas, nem de cartas (sobretudo pretas) que venham de outras mesas. E não podemos esquecer que defende, com unhas e dentes, as velhas cartas de Espadas que ficaram marcadas nuns jogos que correram muito mal lá para as bandas de África. José Sócrates não gosta lá muito das ideias da pequena, mas enfim…
O problema é o pai da noiva. O Paulo (que tem um irmão muito amigo da BE das amigas boas) é um homem estranho. Apesar do fino trato e das palavras polidas, trata por tu todas as peixeiras do burgo e não se passa um dia em que não vá fazer as compras da casa no primeiro mercado que lhe surja no caminho. O Paulo gosta de ver a sua filha bem casada (já fez uns quantos enlaces, mas correram todos mal), porquanto que a troco de um bom dote em cartas de Ouros.
José Sócrates ainda pensou que valia a pena arriscar nesta rapariga, mas a moça está tão magrinha e doente, que, qualquer dia, desaparece. Não, o nosso primeiro quer que o jovem PS se case com uma moça que lhe ofereça um ombro amigo, que o apoie nos momentos difíceis.
Não, esta não. Ainda morre antes de chegar ao altar.


QUARTA NOIVA: PSD
José Sócrates estremeceu antes de ir bater à porta desta moça, que mora ali para os lados da Lapa. É uma rapariga grande e espadaúda, tal como o jovem PS, com quem, em tempos, chegou a ter um namorico de um par de anos. Mas esta PSD dá-se com demasiada gente da nobreza, todos eles barões, todos eles avarentos, quezilentos, malvados e sequiosos de cartas de todos os naipes. No meio desta nobreza, entram também uns rufias mal-afamados, como o malcriado do Alberto da Madeira ou o pintas do Pedro Lopes, D. Juan de trazer por casa e Calimero de segunda. “Nesta casa, Espadas é sempre o trunfo”, pensa o nosso José Sócrates.
Quem tem o Ás e a tutela da rapariga não é um homem, mas sim uma senhora, mãe da pequena. Uma senhora? Bem, dizem as más-línguas que a doutora Manuela tem um gato preto, faz poções com asas de morcego e, em vez de andar de carro, anda de vassoura. Dizem que faz magia com as contas da casa, mas o nosso primeiro diz que não passam de truques de ilusionismo barato.
Só que a PSD é uma jovem que não tem pejo em adaptar-se às circunstâncias. Se é para ser uma lady na mesa e uma puta na cama, que venham daí dez cartas. No fundo, é a verdadeira cara-metade do nosso PS, embora nenhum deles goste de admitir quanto gosta do outro.
Todavia, a mãe da noiva já veio fazer exigências: “
Para casares com a minha filha, jovem PS, vais ter de te livrar desses maricas e desses pretos com quem te dás. E vais ter de deixar de andar a brincar aos aviões e aos comboios. A minha filha só brinca às empresas, com umas casinhas piquenas”.
O nosso primeiro, homem que não necessita de yoga para dobrar bem a espinha, pensa, pensa, pensa e lança uma contra-proposta: “Olha, deixemos estar os comboios e os aviões de brincar, que ajudam muitos meninos que não têm nada no Natal. Quanto aos maricas e aos pretos, se é isso que queres, mando-os todos para o quarto escuro do Tarrafal e meto lá também os bandidos dos jornalistas, que têm a mania de me estar sempre a ver o jogo. Temos acordo?”

quinta-feira, 30 de abril de 2009

JOKER (2): Também quero um ismo

Em 35 anos, o PSD deu à sociedade democrática portuguesa um importe legado: os ismos (e respectivos istas).

Isto porque os principais ismos foram devidamente acondicionados noutras coutadas: o PCP reclamou para si o comunismo e o marxismo-leninismo, o PNR ficou com o fascismo, o BE deitou a mão ao trotskismo (que tem que dividir com o pequeno POUS), o PCTP/MRPP alinhou com o maoísmo, o PPM quis o saudosismo (outro nome para monárquico), o PEV apanhou o ecologismo, o MPT diz-se amigo do ambientalismo e do ruralismo, o CDS/PP arranjou-se com o conservadorismo (a meias com o dissidente PND), o MMS tem muitos laivos de neoliberalismo e… bem, o PS diz que o socialismo é dele, mas parece que o tem guardado algures numa gaveta, bem fechado à chave.

Ora, depois de toda a gente se lambuzar com os seus ismos, restava ao PSD ficar com a social-democracia… que não é um ismo. Todavia, posto que estamos a falar de um dos maiores partidos portugueses, as gentes da Rua de São Caetano à Lapa trataram imediatamente de resolver o problema e criaram os seus próprios ismos, que, rapidamente, se transfiguraram em istas.

É por isso que, hoje em dia, o PSD está pejado de cavaquistas, leitistas, barrosistas, menezistas, marquesmendistas, santanistas, jardinistas, marcelistas, sá-carneiristas, coelhistas, sarmentistas e sabe-se-lá-mais-o-quê-istas. Uns mais elitistas, outros mais populistas, mas todos cem por cento istas.

Perante este cenário, venho, por aqui lançar-vos um repto: TAMBÉM EU QUERO TER O MEU PRÓPRIO ISMO.

Sim, um ismo verdadeiramente ismo, cheio de istas em meu redor - curvando a espinha a 180 graus diante da minha presença, implorando, de mãos suplicantes e trémulas, que abençoe as suas humildes vidas com um punhado de cargos.

Por isso, queridos amigos, peço o vosso apoio para, juntos, formarmos o nosso próprio ismo «laranja». E não precisamos de muito: concorremos à presidência do PSD nas próximas directas, levamos uma tareia de todo o tamanho, mas passamos a existir… e a funcionar como uma pedra no sapato para os istas que se sentarem na cadeira do poder. Se a coisa correr bem, até nos deixam disputar umas eleições - perguntem ao Santana Lopes, que ele é mestre nesta arte.

Minhas amigas, meus amigos, este País e este partido (o PSD) necessita de uma mudança. Necessita de mais um ismo. Mas não será um ismo qualquer. Será o melhor de todos os ismos: O TERRORISMO.

Por favor, ajudem-me. Não quero ser mais uma carta fora do baralho.


E agora cantem comigo: “Paz, pão, povo e liberdade, todos sempre unidos no caminho da verdade...”



quarta-feira, 29 de abril de 2009

JOKER (1): O fabuloso destino de José Sócrates

E se, de facto, José Sócrates for mesmo culpado de tudo aquilo que o acusam no caso Freeport?

Imaginemos que Sócrates tinha mesmo recebido quatro milhões de euros para aprovar uma nova ZPE na zona em que nasceu o Freeport. Imaginemos que tal ficava mesmo provado em tribunal.

Bem, se Sócrates estivesse no Governo, certo é que Cavaco Silva trataria de o demitir imediatamente, sem apelo, nem agravo. Em consequência, Sócrates demitir-se-ia da liderança do PS, deixando os «barões» soaristas, alegristas, ferristas, guterristas, sampaístas e, quem sabe, socialistas, à bulha por um lugar na cadeira do poder.

Se fosse condenado em tribunal, Sócrates teria, provavelmente, de pagar uma multa. Coisa de cinco mil euros - moedas, para quem recebera quatro milhões. Recentemente, o administrador da Bragaparques Domingos Névoa foi condenado a uma multa de cinco mil euros por tentativa de suborno ao vereador José Sá Fernandes, a quem ofereceu 200 mil euros para que este desistisse de um processo a propósito da permuta de terrenos da Feira Popular e do Parque Mayer. Baseado neste exemplo, sou levado a crer que Sócrates não deveria pagar mais de cinco mil euros… isto se ele não apresentasse recurso, atrasando o cumprimento da sentença por tempo indefinido e indeterminado (foi também o que fez Domingos Névoa).

Depois de ser condenado em tribunal e de ser espoliado dos seus cargos, Sócrates seria conduzido a um cargo de administrador não executivo na Caixa Geral de Depósitos. Aliás, é neste banco, que, regra Geral, se fazem os Depósitos de antigos detentores de cargos políticos, que assim passam a auferir gordos salários a troco de um lugar onde nada fazem.

Como Sócrates não é homem de ficar a carpir as suas mágoas, de imediato trataria de mover processos contra todos os jornais e órgãos de comunicação social em Portugal, por causa das notícias publicadas sobre o caso Freeport. De imediato, os tribunais alegariam que, apesar de as notícias serem verdadeiras, as mesmas prejudicaram o ilustre cidadão José Sócrates. Por isso, os órgãos de comunicação social seriam obrigados a pagar indemnizações de largos milhões de euros cada um, mesmo ficando provado que disseram a verdade e desmascararam um facínora corrupto. Algo semelhante aconteceu com o Público a propósito de uma notícia sobre o Sporting.

Depois de se encher de dinheiro, Sócrates compraria uma quinta no Alentejo, onde iria passar largos meses a escrever um livro, onde denunciaria as campanhas negras contra si movidas. O livro venderia como pãezinhos quentes e Sócrates ficaria ainda mais rico.

Mais rico e desdenhoso em relação a todos os que sempre viveram de acordo com a lei.

Mais rico e desdenhoso em relação a todos os que sempre se recusaram a vergar a espinha dorsal.