quarta-feira, 29 de abril de 2009

CARTAS MARCADAS (1): Manuela Ferreira Leite



“Querida Manuela:

Desde já, peço desculpa por tratar-te por tu, mas, sinceramente, não me imagino a tratar-te de outra forma. Afinal de contas, esta mesa de jogo é minha e quem dita as regras sou eu. No fundo, é como se, durante seis meses, não houvesse democracia neste espaço, coisa que, ao que sei, poderá até nem te incomodar de todo.

Decerto que, neste momento, já te estarás a perguntar sobre o motivo que me leva a escrever-te estas calorosas linhas sob a forma de carta. Pois bem, querida amiga, sinto-me na obrigação de te dar alguns conselhos, isto apesar de sentir que, por vezes, a minha amizade não te é querida - nem a minha, nem a de 10,6 milhões de pessoas.

Sabes, Manuela, até aprecio a tua ideia de quereres dizer a verdade aos portugueses. Mas, sabes, um amigo meu costumava dizer-me que ‘há muitas maneiras de se dizer a verdade e outras tantas de não se dizer a verdade’. E tu, Manuela, não nos estás a dizer a verdade toda, toda, toda… pelos menos, não dizes por palavras, o que, em rigor, vai dar ao mesmo.

Sim, eu sei que o deus Apolo estaria muito ocupado no dia em que tu nasceste, mas também pouco tens feito para pareceres menos… tenho de dizê-lo: FEIA. Manuela, uma ida a outro cabeleireiro, um par de dias num spa e um banho de compras poderiam fazer milagres pela tua imagem, que, temos de admitir, não é a imagem da dama de ferro que tu julgas que és e que pretendes ser. Na verdade, o teu problema é pareceres mesmo uma bruxa. Em Portugal, ouço já muita mãe a dizer ao seu mais novo rebento: Ou comes a sopa ou eu vou chamar a Ferreira Leite! Pelo menos, tens ajudado muita criança a alimentar-se melhor, mas…

Mas não é esse o teu único problema. O gordo do Durão também não era um primor em termos de imagem e vê lá onde é que ele está agora.

O teu maior problema, neste momento, é a tua relação com a verdade. Encheste o País de cartazes com a tua foto em tamanho grande, causaste milhares de acidentes e prometeste verdades aos portugueses. Mas não prometeste verdade alguma em concreto.

Ou não?

Ao olhar para os teus cartazes de fundo cinzento, percebi que, na verdade, estavas a transmitir-nos uma mensagem. Uma mensagem de verdade, claro. Dizes-nos, cromaticamente (e verdadeiramente), que o nosso futuro é cinzento. Por outras palavras (ou cores), queres dizer-nos que não há dinheiro para o que quer que seja e que estamos todos fodidos e bem fodidos. E através deste jogo de cores e palavras por soletrar, vais-nos dizendo a tal verdade.

Porém, Manuela, a verdade é que há muitas verdades e a tua é só uma delas. Estamos de tanga, como diria o Durão? Tudo bem, os portugueses elegem-te… MAS PARA RESOLVERES ESSE PROBLEMA! Não quero ouvir desculpas, não quero saber se há dinheiro ou não, se a crise fode tudo ou se fode alguns, se a economia está na merda ou nas nuvens. Se te elegermos é para que resolvas essa porra de uma vez: pões a economia e as exportações em alta, o défice em baixa, reduzes os impostos, dás mais abonos e ponto final. É para isso que pagamos a um primeiro-ministro, mulher!

Se não és capaz, problema teu: não concorras às Legislativas. Se é para encolheres os ombros, criticares o Sócrates e seres uma figura meramente decorativa, mais vale votar na Joana Amaral Dias ou na Ana Drago - elas, pelo menos, podem MESMO ser decorativas.

Espero que não te tenhas ofendido com os meus conselhos.

Muitas cartas de copas para ti e cumprimentos à família,

Do sempre teu,


Dr. Mento

1 comentário:

Maria João disse...

Simplesmente deliciosa e acutilante, esta carta para a Manela!

Parabens!