Mostrar mensagens com a etiqueta Dois de Paus. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Dois de Paus. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 24 de julho de 2009

DOIS DE PAUS (3): Bernardino Soares (condicional à existência de filtragem)

Certa vez, o ilustre deputado comunista Bernardino Soares disse, ao Diário de Notícias, uma frase que chocou o Mundo: “Tenho dúvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia”. Acrescentou ainda o cavalheiro «encornado» por Manuel Pinho ter “muitas reservas em relação à filtragem da informação feita pelas agências internacionais”.

Ok.

Vamos partir do princípio que a notícia que vou relatar em seguida possa ter sido alvo de uma estranha “filtragem da informação feita pelas agências internacionais”. Isto quer dizer que, à luz deste princípio, o que passo a citar pode ser verdade… ou não.

Um grupo de activistas denunciou que Ri Hyon Ok, uma mulher cristã de 33 anos, foi executada publicamente em Junho, por, alegadamente, ter distribuído a Bíblia. A dita senhora foi igualmente acusada de espiar para a Coreia do Sul e para os Estados Unidos e ainda de organizar dissidentes. Como se não bastasse a execução, um dia depois da morte de Ri Hyon Ok, os pais, marido e três filhos da senhora foram enviados para um campo-prisão para políticos na cidade de Hoeryong, sendo que, com alguma sorte, ainda se escapam à execução por actos que não foram cometidos por eles.

Bem, se isto é mentira, existe uma gigantesca propaganda mundial anti-Coreia do Norte, que nos enche a cabeça de mentiras sobre um país justo, livre e democrático.

Mas, se isto é verdade, meu caro Bernardino, só me apetece dizer uma coisa: ÉS UM MONTE DE MERDA SEM NOME. Se isto é verdade, meu caro Bernardino, não me venhas dizer que o Sócrates é um ditador e que o PSD é um amontoado de fascistas, quando tu vens defender gente desta, que comete os crimes mais hediondos de uma forma que só me faz lembrar a Santa Inquisição, de tão má memória e de tanta vergonha para a História da Humanidade.

Por isso, meu caro Bernardino, sugiro-te que viajes até Pyongyang e nos digas a nós, portugueses, se a Coreia do Norte é mesmo um paraíso injustiçado pela propaganda ocidental ou se, pelo contrário, não passa de um país amordaçado por um regime carniceiro. Investiga, pergunta sobre este caso, tenta apurar a verdade. Se te executarem em público, ficaremos a saber que, afinal, até estavas enganado e tiveste o final que mereceste ao defender o que não pode ser defendido.

Mas, enquanto não decides dar um saltinho até Pyongyang (e até nos fazias um favor, tornando Portugal um país ligeiramente mais habitável), deixo-te a mais desonrosa nomeação deste blog, sempre com a ressalva de a notícia poder não ser verdadeira: O DOIS DE PAUS.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

DOIS DE PAUS (2): Vital Moreira (again)

(Este post está em constante actualização por motivos óbvios)

Confessa-vos o Dr. Mento que só em casos muito excepcionais atribui a mais vil distinção que esta mesa de jogo pode atribuir a quem quer que seja. Porém, este Dois de Paus não foi por mim atribuído, mas sim por…

…por uma data de gente que acha que pode mandar umas postas naquela coisa chamada blogosfera, onde, por acaso, todos nós nos encontramos neste momento.

Ok, eu confesso: concordo com o Dois de Paus para Vital Moreira. Mas esta mesa de jogo até nem foi das que mais cartas de Paus deu ao Avô Cantigas que se diz professor, mas que não faz grande questão em dar aulas ou em pôr o rabinho no Conselho Científico da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra. Até vos lembro que, nalgumas ocasiões, elogiei o dito senhor de alvos bigodes.

Bem, deixemo-nos de conversas e vamos ao que interessa. Leiam só algumas frases retiradas de uns quantos blogues (vai na volta, do blogue de alguém que me está a ler neste momento) e digam-se lá se o Dois de Paus não é bem atribuído.

- “A vergonha é muito grande. O candidato basófias afinal cumpre inteiramente a máxima de "a montanha pariu um rato'. como diria o Rei D. Juan Carlos "Por quê no te callas, Vital?". (Pau Para Toda a Obra)

- “(…)mais uma sessão de esclarecimento sobre esta inovação intelectual honestíssima «BPN ou 'roubalheira' do PSD», coisa desbragada de se dizer!, tudo embrulhado no celofane daquele pensamento único, daquela linguagem rasca que o notabilizou para a posteridade. Este Vitral Moreira quebradiço estilhaça com pouco. E vai lavar em cacos o PS.” (PALAVROSSAVRVS REX)

- “Como se não bastasse, José Sócrates cometeu um grave erro de estratégia eleitoral, ao escolher para cabeça de lista às europeias um ex-comunista e ex-estalinista, um Professor de Coimbra que prometia grande elevação no debate (lembram-se?) mas acabou todos os dias a atirar lama sobre partidos e adversários, a fim de tentar esconder a sua inépcia e os inúmeros telhados de vidro do PS…” (31 da Armada)

- “É vergonhoso para Vital e é vergonhoso para a democracia. E os socialistas sabem bem o que é ver o partido responsabilizado ou associado a crimes ou possíveis crimes de militantes e dirigentes seus: Casa Pia, Freeport ou o Caso da Valor Alternativo, da qual são sócios Dias Loureiro e Jorge Coelho, e que, curiosamente, não tem sido propriamente tema de conversa.” (Corta-fitas)

- “Vital Moreira deu um tiro no pé. Insiste em não perceber que deu um tiro no pé e continua com o dedo no gatilho e com a pistola apontada ao pé.” (Delito de Opinião)

- “Mas alguém percebe o desempenho anquilosado e desajustado da campanha eleitoral do PS. Falam a várias vozes e os argumentos são contraditórios. VM desce a um nível que nunca se esperaria de um constitucionalista com o seu currículo. Cada vez menos os militantes se revêem no representante bastardo que lhes impuseram.” (A RODA)

- “(…) facto de dentro de pouco tempo a campanha chegar ao fim e podermos vê-lo pelas costas (ah! se fosse verdade!...) quando finalmente rumar ao Parlamento Europeu, é pequena consolação” (“Cantigueiro”)

- “Vital Moreira (PS) foi completamente desastrado, não conseguindo sequer ser simpático. Sorriso completamente atoleimado, entrando por caminhos que não domina, sem rei nem roque, limitou-se a ser "his master voice" (a voz do dono), que é como quem diz a voz de Sócrates. Paulo Rangel (PSD) aproveitou, e bem, as palermices e a completa ignorância e inaptidão de Vital Moreira. Não teve muito trabalho para ganhar votos. Foi Vital Moreira quem os perdeu.” (.Blog)

- “Vital Moreira achou por bem prolongar a sua vergonhosa insistência no “caso BPN”, afirmando num comício do PS que o PSD se tem de “dissociar daquela situação” sob pena de os eleitores perguntarem “que medo tem o PSD para não se dissociar do caso BPN”. Curiosa teoria: segundo este especialista em Direito, enquanto uma pessoa ou instituição não se “dissocia” de algum acto ou comportamento menos respeitável, então deveremos ser levados a pensar que há razões para pensarmos que eles estão “associados” a eles. Por essa ordem de ideias, o PSD não é apenas responsável pelas “tranpolinices” de “Oliveira e Costa e tutti quanti”: Manuela Ferreira Leite, que eu saiba, não se “dissociou” do Holocausto, e não tardará que os cidadãos se perguntem se ela não será nazi;” (O Insurgente)

- “Em vez da explicação que o mínimo respeito pelo seu eleitorado exigiria, continua a teoria da cabala.” (O país do Burro)

- “No seu Diário de Candidatura, Vital Moreira escreve: "A Marinha Grande nunca me desaponta.". Tendo em conta que, em 1986, Vital Moreira, salvo erro, ainda pertencia ao PCP, alguém que lhe pergunte se este reiterado não desapontamento inclui o happening de 1986 ou se se estava a referir a outra coisa qualquer - à qualidade do vidro ou isso. Se as gaffes (e esta é claramente uma apreciação subjectiva) do candidato tivessem reflexo directo nas sondagens, ou seja, se alguém ligasse ao que Vital Moreira diz, o PS já estava atrás do Bloco.” (jugular)

- “Depois de ouvir o senhor Moreira falar na roubalheira e pedir ao PSD que se demarcasse, não é que destacados socialistas também por lá andaram? Bom, como o homem transpira coerência, logo à noite já vai pedir ao PS que se demarque desta roubalheira.” (Fliscorno)

- "Do lado do PS a surpresa foi o candidato. Quando foi anunciado, pensei que Sócrates tinha escolhido um trunfo. Afinal a campanha demonstrou que Vital Moreira é uma carta fora do baralho. Sairá rapidamente do palco no próprio dia das eleições." (4R – Quarta República)

- "Uma pessoa liga a televisão nestes dias e prepara-se para o pior. O pior é obviamente encontrar Vital Moreira acompanhado de Ana Gomes numa rua qualquer do país. Os eleitores do PS são seres humanos e, portanto, também devem sentir algo assim. Porque o que Vital Moreira diz – esqueçamos Ana Gomes – só a custo se distingue do mais rasteiro populismo." (Papa Myzena)

- "Vital Moreira continua infatigável no seu papel , aquilo a que Edward Said chamou de “elasticidade servil para com o seu campo”. Vital não esquece que é o pretexto de esquerda na campanha socialista. Como o seu secretário geral segrega ideologia de direita com a naturalidade com que a saliva se lhe acumula nos cantos da boca, a protestada pertença à esquerda de Vital soa forçada naquela exibição de efeitos especiais, loas ao poder e fatiota de Beverley Hills. Então Vital inventou uma designação para a outra esquerda, a que recorre sempre que as câmaras lhe dedicam algum espaço: chama-lhe radicais." (A NATUREZA DO MAL)


Enfim, são apenas alguns exemplos retirados meio ao acaso, mas que confirmam uma impressão que já tinha: sucedem-se as críticas a Vital Moreira (especialmente pela associação torpe e mesquinha de todo o PSD ao caso BPN, ignorando que se poderia fazer o mesmo em relação ao PS e a outros casos cabeludos) e escasseiam os elogios. Por isso, o Dois de Paus é bem metido. E se houvesse um Três de Paus, o prémio ia direitinho para José Sócrates pela escolha desastrada e desastrosa do seu cabeça-de-lista.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

DOIS DE PAUS (1): Sergio Marchionne

Neste preciso momento, o actual patrão da Fiat, Sergio Marchionne, deverá estar a contemplar a sua própria figura no espelho, repetindo, vezes sem conta, a mesma frase para o seu reflexo: “Tu és um génio, o melhor gestor do planeta, do Universo”!

Sucede que o Dr. Mento também está atento ao que se passa e, ao invés de atribuir um prémio de gestão ao dito senhor, decidiu ofertar-lhe a mais vil e reles distinção que um homem ou mulher poderá receber: o DOIS DE PAUS.

Tecnicamente, Sergio Marchionne aproveitou-se da crise do sector automóvel para fazer uns quantos bons negócios, os quais, assim pensará ele, serão essenciais para fazer da Fiat o principal gigante da indústria automóvel dentro de uns quantos anos. Ao mesmo tempo que a Chrysler (que junta as marcas Chrysler, Jeep e Dodge) anunciava que iria entrar num processo de falência controlada, a Fiat estabelecia um acordo de compra de parte do capital deste gigante de Detroit.
O acordo entre Fiat e Chrysler há muito que era conhecido, bem como os termos do mesmo: Os italianos passam a utilizar as fábricas e as redes de retalho da Chrysler nos Estados Unidos e México, ao passo que os norte-americanos passam a ter acesso a plataformas e motorizações de segmentos mais baixos do que aqueles onde, por norma, a Chrysler e a Dodge concorrem.

Sucede que Sergio Marchionne decidiu que a fusão com a Chrysler não seria suficiente e decidiu também aproveitar as dificuldades de outro gigante de Detroit, a General Motors, para fazer bons negócios. Uma vez que a GM está mortinha por se ver livre do maior número possível de marcas, a Fiat aproveitou para comprar a GM Europe, o que significa que a Opel e a Vauxhall passam para as mãos dos italianos. Para finalizar, segue-se a compra da Saab, emblema que a General Motors jamais soube aproveitar convenientemente e que, neste momento, deve estar à venda por dois tostões.

Com esta política de compras, forma-se o segundo maior grupo automóvel do Mundo, que inclui as seguintes marcas: Fiat, Lancia, Alfa Romeo, Maserati, Ferrari, Chrysler, Dodge, Jeep, Opel, Vauxhall e Saab.

Contudo, nem tudo são rosas neste negócio. Anteriormente, Sergio Marchionne já havia dito ao Financial Times que a partilha de tecnologias e plataformas entre Fiat e Opel poderia dar origem a uma poupança anual na ordem de um bilião de euros. Só que, de acordo com o Frankfurter Allegemeine Zeitung, esta poupança poderá também ser feita à custa de despedimentos. A proposta da Fiat ao governo alemão para compra da Opel referia que nenhuma das quatro fábricas alemãs da marca fundada por Adam Opel seria fechada.


Sucede que Sergio Marchionne quer eliminar 18 mil postos de trabalho e encerrar, total ou parcialmente, 10 linhas de montagem na Europa. Citando um documento altamente confidencial, o Frankfurter Allegemeine Zeitung revela que a Fiat e a Opel deverão, juntas, ter 108 mil efectivos, número que poderá sofrer uma redução de 16,6 por cento, especialmente através do fecho das fábricas da Vauxhall (a filial britânica da GM Europe) e em Itália. Mesmo na Alemanha, as fábricas sofrerão algumas reduções de pessoal, de molde a que, segundo o CEO da Fiat, fiquem mais produtivas.

Se a Saab integrar o novo grupo, não será necessário fazer grandes despedimentos, já que, antes de vender a marca, a administração optou por torná-la mais apelativa, cortando 700 postos de trabalho.

Com que então é despedindo que se ganha em produtividade, sr. Sergio Marchionne…

Quando se analisa a produtividade apenas através da relação custos/lucros, é meio caminho andado para um fiasco completo. Há vários factores que não são levados em conta e que poderão ter consequências altamente negativas no futuro.

Em primeiro lugar, ao eliminar 18 mil postos de trabalho, o novo grupo da Fiat está a eliminar 18 mil potenciais compradores dos seus automóveis, já que os novos desempregados, mesmo quando tiverem condições para tal, não quererão ajudar aos lucros da empresa que os traiu e lhes deu um chuto no rabo.

Em segundo lugar, as violentas reduções nas fábricas de Itália e da Grã-Bretanha deverão ser acompanhadas de igual fenómeno nas vendas. Em Portugal, quando a Renault tinha uma forte presença industrial em Portugal (especialmente em Setúbal), as vendas da marca do losango rondavam 40 por cento do mercado; hoje, tais valores não só não são possíveis, como, em certos momentos, a Renault chegou mesmo a ser arredada do primeiro lugar do ranking nacional (às vezes, até do pódio). Ora, o caso da Renault deu-se num mercado pequeno. Se a Fiat fechar mesmo a fábrica da Vauxhall, as vendas da «Opel inglesa» vão cair a pique… e logo num mercado enorme. Em Itália, se os despedimentos forem demasiado violentos, os consumidores poderão também penalizar o maior grupo automóvel do País, justo no seu mercado mais importante.

Em terceiro lugar, a redução de 18 mil efectivos pode ter consequências mais graves ao nível da produtividade. É verdade que muitas linhas de montagem poderão produzir as mesmas unidades com muito menos gente, mas não é preciso ser mágico para adivinhar que muitos dos cortes serão, justamente, no controlo de qualidade. Ora, sucede que a Opel tem sofrido, nos últimos anos, um forte revés na sua imagem devido a uma quebra acentuada na qualidade, que, por seu turno, nunca foi o ponto forte das marcas italianas. Se a qualidade cair, a imagem da Opel, da Fiat, da Lancia e da Alfa Romeo poderá cair nas ruas da amargura, onde, aliás, já esteve em tempos (pelo menos, no caso dos emblemas italianos).

De súbito, o cenário da criação de um mega grupo automóvel parece bem menos animador. Quando se analisa uma questão por outros prismas, surgem-nos sempre respostas inesperadas, que parecem desmentir verdades que tínhamos como certas.

Nota adicional: Esqueci-me de referir um quarto aspecto, que nada tem a ver com negócios, mas sim com moral pura e dura. Tirar o sustento a 18 mil pessoas é um acto condenável do ponto de vista moral e que revela bem o tipo de pessoa que será o CEO da Fiat. Ainda por cima, nem sequer estamos a falar de 18 mil despedimentos para salvar os restantes 90 mil empregos - é mesmo despedir por ganância pura e dura.