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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

CARTAS MARCADAS (4): Manuela Ferreira Leite (II)

“Minha querida e mui estimada Manuela:

Espero que esta carta te vá encontrar de boa saúde, em especial depois daquela má disposição que te atacou justo antes de ires ao Chão da Lagoa festejar a democracia madeirense junto dos teus companheiros insulares. Acredito, sinceramente, que tenhas ficado desolada ante a impossibilidade de não mais ires apertar mãos suadas, beijar faces pejadas de verrugas e assistires à queda de dirigíveis abatidos a tiros de caçadeira.

Mas não é sobre o primata que te quero dirigir umas palavras.

Sabes, amiga minha, estive a analisar cautelosamente as tuas escolhas para as listas de deputados. Analisei, analisei e analisei. E não te consigo perceber. Já te estás a arrepender de te teres metido nessa porcaria das directas e da presidência do PSD? Bem vês, na altura, disse-te que não tinhas mais idade para esses carrosséis, mas tu não me deste ouvidos e fizeste como bem te passou pela mona. Agora, arrependes-te amargamente e arranjas maneira de perderes as Eleições Legislativas, não vá o diabo tecê-las e o povão decidir que não quer mais o Sócrates. Queres bater com a porta, mas não queres bater com a porta e assim arranjas uma saída airosa com pezinhos de veludo. Bem pensado, de facto.

Só que, Manuela, há limites para tudo. Que queiras que a porra do PSD se foda de alto a baixo, é uma coisa. Mas não precisavas de enfiar o António Preto e a Helena Lopes da Costa na porcaria das listas, mulher. Isso até te fica mal, rapariga, que eles andam a contas com a Justiça e, se a coisa dá para o torno, ainda acabam como o Isaltino (vá lá, este não escolheste tu). Mais grave do que isso, só meteres o gordo do Pacheco como cabeça-de-lista por Santarém. Pacheco por Pacheco, antes preferia o Jaime, que, apesar de ter menos cabelo, tem mais cabeça do que o badocha.

Percebo que não queiras o Passos Coelho e o Relvas, que se fartaram de pedir a tua cabeça. Mas, sabes, quando perderes as Legislativas, a tua carola vai mesmo rolar pelo chão e eles vão estar lá, prontos a sentar o rabo na cadeira que já foi tua. Sei que te estás a cagar para quem vier atrás de ti e até lhes quiseste fazer a cama bem feita, deixando o Parlamento cheio de bonecada que não pode com o Passos Coelho nem pintado de ouro. Mas… o Pacheco, mulher? O que é que ele vai fazer para São Bento? Até já o imagino no púlpito: “Senhor primeiro-ministro, o senhor primeiro-ministro sabe que está a ser situacionista, carreirista, oportunista e jornalista, senhor primeiro-ministro. Se ler com atenção o Abrupto, senhor primeiro-ministro, o senhor primeiro-ministro vai ver que aquilo que está a dizer aos portugueses é mentira, senhor primeiro-ministro.”

E a Maria José Nogueira Pinto? Porra, mulher, o PS descabela-se todo para ver se para a Joana, mas essa, sabes, é tal e qual como o milho. Já a Zezinha, sem lhe faltar ao respeito, está um bocadinho ao estilo iogurte fora do prazo. Quem não deve ter gostado nada da brincadeira é o Portas (o Paulo, digo), mas como não vais ter que fazer coligações depois das Legislativas, porque não vais ganhar eleições nenhumas, até percebo que o queiras ver fodido e bem fodido. Ele merece.

Bem, já que vais mesmo bazar do PSD, bem posso convidar-te para jantar no dia 28 de Setembro, dia em que já não deverás ter grande coisa que fazer. Mas, por favor, não me tragas o Pacheco.

Beijinhos e beijinhos,

Do sempre teu,


Dr. Mento”

segunda-feira, 20 de julho de 2009

CARTAS MARCADAS (3): Ana Jorge

"Querida Aninhas:

Espero que esta carta te vá encontrar, a ti e aos teus, de boa saúde. Afinal, de saúde percebes tu ou não fosses tu a mulher que trata da saúde aos portugueses. Pelo menos, é o que dizem…

Bem sei que há muito que não dou notícias, mas, sabes, lembrei-me de ti no outro dia, enquanto via um filme em casa com os gaiatos. Estava muito bem a ver o Madagáscar 2 quando, de repente, chego àquela cena em que o Melman, a girafa hipocondríaca, descobre que as girafas do Quénia não têm médicos. “E então, como é que fazem quando têm uma gripe?”, pergunta ele, ao que lhe respondem: “Vamos para os morredouros… e morremos”.

Ora, tu, que passas a vida a lutar contra as farmácias, os farmacêuticos, a indústria farmacêutica, as associações de farmácias, as associações da indústria farmacêutica, os consumidores de fármacos e sabe-se lá mais quem, estás de mãos e pés atados por causa da porcaria da Gripe A. Queres dizer à malta que está tudo bem, que não se passa nada e que não há motivos para alarme, mas a porra da gripe anda nas horas e tu ficas com cara de tacho. Se alguma criancinha bate a bota antes das eleições por causa da Gripe A, o teu amigo Sócrates bem pode dizer adeus ao Governo e aos tachos todos, que mais ninguém vota no PS. Desconfio que até o Berloque de Esquerda vos passa à frente.

Mas sei que estás lixada com esta merda toda. Queres que os gajos dos medicamentos se vão todos foder, mas a malta, à rasca, quer toda emborcar Tamiflu e vacinas e o raio mais que as parta. Ou seja, vai tudo dar carcanhol às farmácias a às farmacêuticas, que é o mesmo que engordar gulosos. Bem fizeste tu, que não arranjaste vacinas para toda a gente, nem as deixas à disposição desses maricas antes da altura crítica das gripes. Esses panascas deviam era ter vivido nos tempos do Doutor Salazar, quando a malta era rija e ia trabalhar para o campo com as gripes todas de A a Z - se morressem, paciência.

Além do mais, Tamiflu rima com cú. Cheira-me a uma boa merda…

Essa malta que arranjou a porra da Gripe A devia era fazer como as girafas: Escavavam um morredouro, metiam-se lá dentro com a cabeça de fora e morriam. Simples, pá, simples. Pronto, acabava-se logo a Gripe A. E vai na volta, morriam também uns quantos desempregados e já não davam tantas dores de cabeça ao Viera da Silva, que arranca os poucos cabelos que tem a tentar arranjar umas novas fórmulas estatísticas que lhe permitam fazer desaparecer com mais uns quantos milhares de gajos e gajas das listas oficiais do desemprego.

Olha, agora que digo isto, vou mas é escavar o meu morredouro, para quando apanhar a Gripe A. Se quiseres, escavo um para ti também, que és uma gaja fixe e até nem deixas os panascas darem sangue. Esses mariconços que vão mas é dar sangue à mãezinha deles. Mas não faças mal às fufas, que todo o homem gosta de ver duas gajas a paparem-se uma à outra e o sangue delas não deve fazer mal algum. Paneleiros é que não! Que nojo!

Olha, amiga, vou ter que ir. Resta-me desejar-te felicidades e que apanhes a Gripe A quanto antes, que, nestas coisas, mais vale despachar já o assunto. Ainda para mais, lá para o final de Setembro, vais ter trabalho que não acaba mais a arrumar as tuas coisas no Ministério da Saúde. Não te preocupes, que, se souber de algum emprego para ti, eu telefono, mas já sei que menos do que administradora não executiva na Caixa Geral de Depósitos não te serve.

Muitos beijinhos sem máscara,


Dr. Mento”

domingo, 5 de julho de 2009

CARTAS MARCADAS (2): Pacheco Pereira

“Meu muito estimado e auto-elogiado Zé:

Espero, do fundo mais profundo do coração, que esta cartinha te encontre de boa saúde, apesar de achar que uma dieta não te faria mal algum. Se queres que te diga (e perdoa-me, desde já, a sinceridade), acho que a SIC te paga o suficiente para te inscreveres num ginásio, embora saiba que má cara farás a esta observação, porque um Zé como tu, mas com sobrenome de filósofo grego no lugar de um comum apelido de árvore, se lembrou de baixar o IVA das mensalidades dos ginásios de 21 para cinco por cento. Sim, eu sei que não gostas do homem, mas essa barriguinha… não sei não, parece que tens um Rei (de Paus) escondido lá dentro.

Mas não é sobre o teu abdómen que desejava trocar umas palavras contigo.

Sabes que, há coisa de dias, estive no teu blogue e li lá uma coisa que muito apreensivo me deixou: “os blogues são uma boa coisa, a blogosfera (política) está muito má. Má, intriguista, mesquinha, superficial, amiguista e revanchista, muito longe do país, que desconhece, muito longe da vida, que não vive”.

Ó pá, pareces-me o siracusano que diz que todos os siracusanos são mentirosos. Sendo ele siracusano e sendo todos os siracusanos mentirosos, tal significa que está a mentir e que todos os siracusanos são verdadeiros… embora o facto de ele ser siracusano e estar a mentir invalide que todos os siracusanos sejam verdadeiros.

Mas percebes onde quero chegar, certo? Tu tens um blogue político desde o ano da pedra lascada e vais a esse mesmo blogue político dizer que todos os blogues políticos são muito maus e cheios de vícios. Ora como tu tens um blogue político, isso significa que o Abrupto é muito mau e cheio de vícios, certo? Ou estarei enganado? Ah, para ti há uma excepção absolutamente excepcional que confirma a regra de forma excepcional. Muito bem, muito me contas tu…

Depois, dizes tu: “Duas notas: uma de fundo, outra de circunstância. A de fundo tem a ver com a ideia que a intervenção política implica uma capitis diminutio da opinião, e a sua redução a algo que torna ‘suspeita’ a intervenção no espaço público”.

Homem, não escrevas para o teu umbigo. Escreve para as pessoas, pá. Eu sei que és pessoa letrada e de boa escrita, mas frases como aquela que copiei do teu blogue não são sexo, são masturbação. Em bom português: Queres foder a torto e a direito, mas sai-te punheta. É o que acontece a quem não tenta cativar um parceiro ou parceira.

Não, não estou a ser malcriado. Isso é o Pinho, que faz cornos na Assembleia da República. Estou só a ser teu amigo e a avisar-te. E avisto-te já que uma dieta e umas horas de ginásio fariam maravilhas pela tua rubicunda silhueta.

Mas o que me preocupa mesmo é a tua mania de estares sempre a falar mal dos jornalistas e dos jornais portugueses. Volta e meia, até dizes que, se as pessoas soubessem como são feitos os jornais, não mais os comprariam. Bem sei que há muita merda nas redacções, mas tu, que diabo, tu escreves para o Público e para a Sábado. Se as pessoas não comprarem jornais, ninguém lê o que tu escreves, homem.

Além do mais, tens ganas de chamar merda aos jornais, mas não te dão os escrúpulos na hora de receberes umas moedas pelas tuas colunas, pois não? Homem, o que tu estás a fazer é algo como seres convidado para ir jantar a casa de um amigo, chegares lá e dizeres: “És um falhado, a tua mulher é uma puta, o teu filho é um maricas, os canapés sabem a esterco, os cortinados da sala deviam ser queimados e estás mais gordo. O que é o jantar?”

Ainda por cima, como se não bastasses o que mal dizes dos jornalistas em papel, ainda vais vociferar contra eles na SIC-Notícias e no Rádio Clube, onde, não sei se sabes, também há jornalistas. Pagam-te o jantar e ainda os insultas. Isso não é ter a espinha erecta, é ter falta de bom-senso. Pior: É seres Janus, comendo com uma boca e vociferando com outra.

Bem, a carta já vai longa e mais não me quero alongar. Por isso, deixo para outras núpcias a tua adoração nada escondida pela Forreta Leite, que defendes com um amor, um carinho, uma convicção, uma destreza, uma ferocidade que quase comovem as pedras da calçada. Ai homem, se não és tu que te perdes a ti mesmo, há de ser um rabo de saia. Ainda por cima, AQUELE rabo, que se esconde atrás DAQUELA saia. Mas pode ser que ela engrace contigo e que te arranje uma panelinha no Governo. Pois, pois, dizes que não, mas, se ela te acenar com o tacho, vais a correr como um cãozinho atrás da bola. Depois diz-me se não é verdade.

Não leves a mal os reparos que te faço. São de valor, porque são sinceros, escritos do fundo mais profundo da alma. E, das profundezas te digo: dieta e ginásio, saladas e suores.

Um abraço,

Do teu sempre amigo,

Dr. Mento

PS (sem D): Esqueci-me de te dizer, mas uma boa dieta e umas valentes horas de ginásio fariam milagres por ti. Vai na volta, até ficavas mais bem-disposto com a vida e paravas de andar sempre de caçadeira em punho a matar pardais, para depois os servires na ceia da dama com cara de bruxa.”

quarta-feira, 29 de abril de 2009

CARTAS MARCADAS (1): Manuela Ferreira Leite



“Querida Manuela:

Desde já, peço desculpa por tratar-te por tu, mas, sinceramente, não me imagino a tratar-te de outra forma. Afinal de contas, esta mesa de jogo é minha e quem dita as regras sou eu. No fundo, é como se, durante seis meses, não houvesse democracia neste espaço, coisa que, ao que sei, poderá até nem te incomodar de todo.

Decerto que, neste momento, já te estarás a perguntar sobre o motivo que me leva a escrever-te estas calorosas linhas sob a forma de carta. Pois bem, querida amiga, sinto-me na obrigação de te dar alguns conselhos, isto apesar de sentir que, por vezes, a minha amizade não te é querida - nem a minha, nem a de 10,6 milhões de pessoas.

Sabes, Manuela, até aprecio a tua ideia de quereres dizer a verdade aos portugueses. Mas, sabes, um amigo meu costumava dizer-me que ‘há muitas maneiras de se dizer a verdade e outras tantas de não se dizer a verdade’. E tu, Manuela, não nos estás a dizer a verdade toda, toda, toda… pelos menos, não dizes por palavras, o que, em rigor, vai dar ao mesmo.

Sim, eu sei que o deus Apolo estaria muito ocupado no dia em que tu nasceste, mas também pouco tens feito para pareceres menos… tenho de dizê-lo: FEIA. Manuela, uma ida a outro cabeleireiro, um par de dias num spa e um banho de compras poderiam fazer milagres pela tua imagem, que, temos de admitir, não é a imagem da dama de ferro que tu julgas que és e que pretendes ser. Na verdade, o teu problema é pareceres mesmo uma bruxa. Em Portugal, ouço já muita mãe a dizer ao seu mais novo rebento: Ou comes a sopa ou eu vou chamar a Ferreira Leite! Pelo menos, tens ajudado muita criança a alimentar-se melhor, mas…

Mas não é esse o teu único problema. O gordo do Durão também não era um primor em termos de imagem e vê lá onde é que ele está agora.

O teu maior problema, neste momento, é a tua relação com a verdade. Encheste o País de cartazes com a tua foto em tamanho grande, causaste milhares de acidentes e prometeste verdades aos portugueses. Mas não prometeste verdade alguma em concreto.

Ou não?

Ao olhar para os teus cartazes de fundo cinzento, percebi que, na verdade, estavas a transmitir-nos uma mensagem. Uma mensagem de verdade, claro. Dizes-nos, cromaticamente (e verdadeiramente), que o nosso futuro é cinzento. Por outras palavras (ou cores), queres dizer-nos que não há dinheiro para o que quer que seja e que estamos todos fodidos e bem fodidos. E através deste jogo de cores e palavras por soletrar, vais-nos dizendo a tal verdade.

Porém, Manuela, a verdade é que há muitas verdades e a tua é só uma delas. Estamos de tanga, como diria o Durão? Tudo bem, os portugueses elegem-te… MAS PARA RESOLVERES ESSE PROBLEMA! Não quero ouvir desculpas, não quero saber se há dinheiro ou não, se a crise fode tudo ou se fode alguns, se a economia está na merda ou nas nuvens. Se te elegermos é para que resolvas essa porra de uma vez: pões a economia e as exportações em alta, o défice em baixa, reduzes os impostos, dás mais abonos e ponto final. É para isso que pagamos a um primeiro-ministro, mulher!

Se não és capaz, problema teu: não concorras às Legislativas. Se é para encolheres os ombros, criticares o Sócrates e seres uma figura meramente decorativa, mais vale votar na Joana Amaral Dias ou na Ana Drago - elas, pelo menos, podem MESMO ser decorativas.

Espero que não te tenhas ofendido com os meus conselhos.

Muitas cartas de copas para ti e cumprimentos à família,

Do sempre teu,


Dr. Mento